MENUMENU

Shape

Crossing Roads
2015 | Hell Xis | Hardcore

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SHAPE é uma banda lisboeta, nascida do culminar de outras bandas da pesada, tais como Taurina, Eternal Bond ou Le Dernier Combat, e que ganhou forma em 2009. À semelhança dos projectos antecessores, a nova banda mantém uma sonoridade punk-hardcore. Depois dos registos Desistir é Impossível e Shape 2011, saiu do forno neste último mês de Maio, o álbum Crossing Roads.

“Enjoy Life” é o tema de abertura, que começa de forma calma, para de rompante entrar a voz do frontman João. Um bom agoiro para aquilo que virá. Seguidamente, “Forever Lost” puxa pela revolta a velocidade moderada, com espaço para passagens mais lentas e arrastadas. “Heart in Flames” começa com o chamamento da bateria, dando lugar a uma breakdown furiosa, com a liderança da vocalização forte e decidida.

“100º” inicia-se de forma pesarosa, quase que com um tom inusitado de atmospheric black metal, abrindo as hostes pouco a pouco e passando de seguida para “Cry Me Now”, que dá protagonismo à guitarra e tem o tempo suficiente para palavras bem pronunciadas dando-nos a acompanhar calmamente versos como “Those times that we fight/ When I’m losing my mind/ Lost in those eyes”. Esta torna-se assim numa das mais faixas melancólicas e melódicas do álbum.

Na faixa “Headache” começamos por ouvir uma passagem do poema “Lisbon Revisited” do heterónimo de Pessoa, Álvaro de Campos. Ouve-se “Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?/Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade./Assim, como sou, tenham paciência!/Vão para o diabo sem mim,/Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!” ornamentado por acordes de uma guitarra sozinha que será acompanhada posteriormente por uma bateria que se arrasta. Ouvimos no final uma mistura de várias frases que tocam a vida e a morte.

Depois da inquieta e quebrada “Us Now”, passamos para a turbulenta “Wish Me Luck” e finalizamos o disco com a crua e poderosa“Enjoy the Pain”, esta última com uma letra cativante e que nos dá um soco no estômago, para acabar em beleza.

É um álbum visceral em que o instrumental forte e consistente se entrelaça perfeitamente com a vocalização dura e seca. Lembra uma melancolia raivosa de uns Architects ou de uns Comeback Kid. É um disco que para além de som coeso e de vocalizações arrasadoras, nos dá a beber letras que cativam.


sobre o autor

Andreia Vieira da Silva

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