MENUMENU

Sepultura

Kairos
2011 | Nuclear Blast | Thrash metal

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Existe um certo estigma que paira sobre os Sepultura desde que o seu vocalista original, Max Cavalera (Soulfly, Cavalera Conspiracy, Nailbomb) deixou a banda em 1997. Com a entrada de Derrick Green na banda, muitos são os cépticos que deixaram de dar uma oportunidade às novas directrizes de uma das maiores bandas dentro do género.

Em Julho de 2010, a banda anunciou o seu contrato com a produtora Nuclear Blast Records, e que o primeiro álbum fruto desta parceria seria lançado em 2011. Em finais de 2010, a banda entrou em estúdio com novo material, e pronta a gravar com o produtor Roy Z, que produziu álbuns de Bruce Dickinson, Judas Priest, entre outros nomes sonantes. Assim, Kairos foi gravado nos Trama Studios, onde o anterior álbum, A-Lex, havia sido composto.

Kairos é, na mitologia grega, filho de Chronos e o Deus do tempo e das estações. Para a civilização moderna, este desígnio remete para o momento “oportuno”, a marca de um acontecimento importante no tempo. O décimo segundo álbum da banda brasileira, traz influências bem demarcadas. É um álbum thrash, que precedia um retorno às “origens” da banda, ao som agressivo dos seus primórdios.

Temos um lote de músicas com nomes simbólicos, e que podem dar que pensar. “2011”, “1433”, “5772” e “4648”. Em “Rentless”, a batida agitada e feroz lembra muito Pantera, até porque Derrick vai buscar um pouco do estilo vocal de Phil Anselmo, e esta é talvez uma das faixas de topo do conjunto. Assim como em “Mask”, que começa com um bom riff de guitarra, um momento Dimebag Darrell, mas que acaba por esfriar um pouco no seu desenrolar.

“Just One Fix” é outra das faixas mais poderosas do álbum. Apesar de ser uma cover, dos míticos Ministry, tudo está no ponto certo. Tem a garra suficiente, a voz rasante de Derrick, a bateria incontornável e pulsante. Na deluxe edition, encontramos mais uma cover, desta feita, de uma banda que pouco ou nada tem a ver com o universo Sepultura, os Prodigy. “Firestarter” (provavelmente o hino da banda electrónica) tem um especial ênfase no riff viciante e aqui a voz de Derrick, apesar de ser o oposto da original, adequa-se perfeitamente. O final da canção é colmatado com um extravasante solo de guitarra.

No fundo, Kairos, volta a dividir as opiniões no que toca ao nome actual dos Sepultura, ao confronto entre amantes do passado com o novo rumo da banda. É mais groove, não tem a força para se comparar a um Roots ou Arise. Mesmo assim é um bom álbum, que pode não ir de encontro às expectativas que alguns fãs de Sepultura possuem, talvez por os carregarem com expectativas enormes e pesadas, mas é um registo competente. É de salientar que a voz de Derrick Green está bastante boa, dá força a cada música, e por vezes chega a parecer-se com a voz de Dez Fafara (ex-Coal Chamber, DevilDriver). É o ponto alto deste álbum, o facto de a voz de Derrick estar completamente desprendida, potente e com um feeling brilhante. Se Derrick pode estar ao nível de Max em termos vocais? Já o está. Cheira a metal pesadão, que é o que todos nós queremos num disco de Sepultura.


sobre o autor

Andreia Vieira da Silva

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