MENUMENU

Savanna

Dreams To Be Awake
2015 | NOS Discos | Rock

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Os Savanna surgem-nos em 2012 com o mui espacial Aurora, um EP que encerra nada mais nada menos que uma das mais pertinentes candidaturas a porta-estandarte da herança do rock progressivo em terras lusas. Em Aurora, os Savanna fizeram por não se ficarem por uma cópia pouco inspirada dos mestres. Há reminiscências de Pink Floyd e daquele disco que o Cid gravou antes de se dedicar a temáticas mais sérias em “Favas com Chouriço” – e ainda bem que as há -, mas a banda soube sacudir o pó aos discos dos anos 60 e 70 com mestria, estudou a lição e enquadrou-a na actualidade com perspicácia. O disco representa uma lufada de ar fresco num país onde grande parte do rock cheira a naftalina – algo que tem vindo a mudar radicalmente nos últimos anos.

Dreams To Be Awake, o primeiro longa-duração da banda, vê a luz do dia em 2015, via NOS Discos. À primeira vista parece haver uma quase-ruptura com a sonoridade de Aurora, o que poderá levar a que surjam comentários depreciativos nesse sentido. Abstenho-me de os fazer – a música é deles, até podem tocar corridinho algarvio se lhes apetecer.

Num registo que, por vezes, se aproxima de aquilo que fazem, por exemplo, bandas como Tame Impala e Animal Collective, Dreams To Be Awake não é necessariamente mais acessível que Aurora. Os devaneios espaciais e a ambição continuam presentes, e desta vez com extraordinária subtileza.

Seria equivocado afirmar que os Savanna abandonaram o seu lado mais progressivo, e de certa forma é aí que reside a única falha do disco: a meio-caminho do fim do disco, quando esbarramos com esse déjà vu que é “Gods We Are”, a paisagem altera-se consideravelmente. É importante referir que a qualidade não sofre (pessoalmente, acho que até gosto mais da segunda metade do disco). Seja nos momentos de ribaldaria em “FuzZzZz”, ou na excelente “The Fix”, perdida algures entre, outra vez, os Pink Floyd e as baladas dos Mastodon, o único ponto que, para alguns, poderá ser menos positivo, é o facto de esta ruptura tornar o disco mais heterogéneo, estranhando-se assim a sua escuta como um todo.

Se por um lado o disco se apresenta embrulhado numa produção, ainda que muito competente, um pouco polida demais para alguns ouvidos, ao vivo a banda não se coíbe se experimentar uma roupagem mais rock, carregando na distorção e no volume.


sobre o autor

Ricardo Almeida

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