MENUMENU

Portugal. The Man

Evil Friends
2013 | Atlantic Records | Rock

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Enquanto estava a ouvir o 7.º registo deste projeto ao qual ajudamos a dar o nome (bom gosto?), deparei-me com uma situação que detesto: “Bem, este disco, não sendo a última coca-cola no deserto, é uma coisa bem sóbria, elegante, cuidada e, mesmo tendo poucas, se alguma, canção brilhante, também não possui uma que seja menos boa.”

A minha crítica a Evil Friends podia terminar com este explicar de pensamento, mas, se assim fosse, para que queriam os garbosos seguidores deste site fazer… neste site? Por isso, há que dar a conhecer da melhor maneira possível o disco. Até porque eu a pensar para mim não sou muito douto e tenho pouca piada.

Plastic Soldiers dá-nos as coordenadas e mostra, de facto, quem são os atuais Portugal. The Man. Esqueçam os devaneios psicadélicos (exceção feita a Purple Yellow Red and Blue). Este coletivo, que tem vindo a crescer em número de elementos, discos e qualidade, é uma banda pop. Mas de pop nada pretensiosa. É sim cheia e parece resultar melhor num todo do que em faixas separadas. Evil Friends (o disco, não o tema) é daqueles que merece ser tocado do início ao fim num concerto. Um pouco como fizeram os Breeders recentemente, só que aqui pede-se em bom.

É difícil escolher a melhor faixa de um disco sem temas que se queiram destacar. Não que sejam maus. Muito pelo contrário. Evil Friends, Modern Jesus (com fantásticas mudanças de ritmo constantes), Atomic Man ou Holly Roller (Hallelujah) – aqui com enormes arranjos vocais – clamam por aquilo que de melhor no espectro pop consegue fazer este grupo do Alaska, mas há muito sediado em Portland, Oregon.

Porém, talvez o melhor momento do álbum, a par de Atomic Man, Modern Jesus e Plastic Soldiers seja aquele tema que mais foge aos restantes. O mais arrojado, precisamente por ser diferente, Waves. Aqui, começando com um arrastado e delicado órgão, cresce-se sem pressas para uma junção de sons que nos enchem a alma. É a música mais profunda de Evil Friends e também a que nos faz exorcizar os males que, obviamente, todos temos.

O “grupinho” de John Gourley, produzido pelo “amigo” Danger Mouse, traz um disco que dificilmente será dos mais recordados no final do ano, mas que nos lembra como eles estão maduros e capazes de dizer: “Este caminho, o da pop, é o nosso. Sabemos o que fazemos”. (Já estou outra vez a falar comigo…)


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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