MENUMENU

La Dispute

Wildlife
2011 | No Sleep Records | Post-Hardcore

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Morte. Angústia. Frustrações. Ficam desde já avisados que se não estão com humor para ler sobre assuntos pesados, esta crítica não será o ideal para vocês, nem tão pouco este segundo disco dos La Dispute o será. Independentemente disso, e se ainda continuam a ler isto, dêem-lhe uma hipótese, já que, e fazendo o segundo aviso em um tão curto espaço de tempo, vale a pena.

Dividido em quatro partes, este “Wildlife” forma um disco conceptual em redor de um escritor que incide o seu trabalho sobretudo em pequenas histórias. Os quatro monólogos do escritor demarcam cada parte deste disco e são apresentados através dos temas “a Departure”, “a Letter”, “a Poem” e “a Broken Jar”, mostrando-nos o seu drama existencial e a forma como a ficção se começa a fundir com a sua própria vida, quase como um relato esquizofrénico de alguém que se foi perdendo ao longo dos tempos. Não sendo um álbum fácil desse ponto de vista, ganha imenso pela forma como o vocalista Jordan Dreyer aborda estes temas, seja pela forma como cria estas histórias no papel ou pela forma como as canta, em jeito de spoken word meio agressivo, mas carregadinho de emoção, seja ela qual for.

Sendo que isto já é algo que vem de trás, do primeiro álbum da banda, o “Somewhere At the Bottom of the River Between Vega and Altair” de 2008, foi algo que teve tempo de aprimorar ao longo destes 3 anos e alguns EP’s lançados pelo caminho, não é fácil encaixar este tipo de vocalizações neste tipo de sonoridade, e é aqui que se nota uma melhor evolução no som dos La Dispute, as guitarras de Chad Sterenburg e Kevin Whittemore, o baixo de Adam Vass e a bateria de Brad Vander Lugt crescem e formam-se a partir da voz de Dreyer, sem que de forma alguma percam importância na construção dos temas ouvidos.

Voltando ao ponto essencial de “Wildlife“, o trabalho lírico e as emoções presentes em cada palavra usada, é praticamente um crescendo até músicas como “King Park” ou “I See Everything” nos rebentarem na cara sem qualquer válvula de segurança. Na primeira temos a história de um jovem que alveja uma criança e que tenta viver com a culpa e o remorso do que fez, e ouvimos Jordan Dreyer a gritar da perspectiva do assassino “Can I still get into heaven if I kill myself?” em busca de absolvição. Na segunda temos a história de um casal que tenta lidar com a doença terminal do seu filho, e é quase um diário da vida destes pais até ao culminar da sua vida, ou seja, a respectiva morte.

Estes são apenas alguns exemplos do que se pode esperar deste álbum, mas há muito mais para descobrir em cada audição, se estiverem dispostos a uma viagem emocional, que ainda que possa ser/parecer desconfortável pelos assuntos tratados, não nos faz mal nenhum e, se são fãs de um pós-hardcore bem executado, aconselho-vos a audição deste disco, mas não sem antes me referir a uma das últimas músicas do mesmo, em “All Our Bruised Bodies And The Whole Heart Shrinks“, Dreyer canta-nos a frase com que quero acabar esta crítica.

“Tell me what your worst fears are. I bet they look a lot like mine.”

Verdades.


sobre o autor

Hugo Rodrigues

Multi-tasker no Arte-Factos. Ex-Director de Informação no Offbeatz e Ex-Spammer na Nervos. Disse coisas e passou música no programa Contrabando da Rádio Zero. (Ver mais artigos)

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