MENUMENU

Kings of Leon

Mechanical Bull
2013 | RCA Records | Rock

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Para uma banda com tantos altos e baixos de popularidade como os Kings of Leon, havia agora no sexto longa-duração uma variedade de caminhos a escolher. Após o sucesso comercial de “Only by the Night” veio um hype que não voltariam a igualar e ficou a ameaça de ganharem o rótulo de two hit wonder. O mundo estava farto dos Kings of Leon. E os Kings of Leon estavam fartos dos Kings of Leon. Aí o caminho a tomar foi evidente para a banda e o mais anti-comercial “Come Around Sundown” veio acalmar as águas. Até podiam começar de novo, mas foram mais espertos que isso. Até já são uns veteranos, apesar de um dos membros não ter saído da puberdade assim há muito tempo, e aproveitaram-se disso. Dedicaram-se a compor um disco que soe a Kings of Leon, que consiga aglomerar as diferentes sonoridades que trabalharam nos passados cinco discos e apresentar algumas das maiores hooks do seu repertório.

Enquanto apresentam canções ainda orientadas por um som que nos leva ao indie rock que revitalizava o post-punk e o garage rock da primeira metade da década passada, somos trazidos de volta ao aclamado “Aha Shake Heartbreak”. Porém, nessas mesmas canções não deixa de haver o agradecimento aos U2, com melodias chorudas e rock acessível de encher arenas a escorrer pelos poros de cada refrão. Isto enquanto somos lembrados, constantemente, que esta banda é do sul dos Estados Unidos e que o southern rock está sempre à espreita e a intrometer-se – em “Come Around Sundown” era o que mais abundava.

Uma breve menção sobre os resgates ao passado, desde os blues ao hard rock, e tenho um parágrafo inteiro a descrever o som geral dos Kings of Leon. Com isto, o que quero dizer é que pode ser em “Mechanical Bull” que esteja melhor representado, de forma mais abrangente e mais sólida, aquilo a que a banda soa ou deveria soar. Pelo menos fica a sensação de que era essa a intenção e de que ficou uma coisa bem feita.

A introdução do disco com o eficaz single “Supersoaker”, prova que este é para ser um álbum directo ao assunto. Já em “Rock City” volta a brincar-se com o rock de outras épocas e até se explora um som “setentista” que ainda não tinha sido abordado em “Youth & Young Manhood”. O tal número de hard rock mais “pesado”, dentro destes parâmetros, fica ao cargo da envolvente “Don’t Matter” que, ao fim, é das que mais coladas ficam ao ouvido. E por falar em coisas que colam, ainda tem que se passar por uma facilmente memorável “Temple” antes de chegar a “Family Tree”, um ponto alto pela sua singularidade; possivelmente a música mais funky que podia ter saído destes três irmãos e primo. “Comeback Story” é uma irmã mais nova de “Knocked Up” e a tal ambição de um arena rock de refrão com efeito volta a salientar-se em “Tonight” e “Coming Back Again”, que poderiam constar em “Only by the Night”. “Mechanical Bull” fecha com “On the Chin”, que nos lembra de onde é que estes moços vêm e que lá ainda se ouve bastante country,  concluindo o disco numa nota mais calma, a fazer contraste ao início enérgico.

Uma breve descrição quase faixa a faixa demonstra que o álbum tem bastante força como um trabalho no seu todo, mas com cada tema a ter a sua personalidade e o seu destaque próprio. Como o baterista Nathan afirmara antes, uma colecção não oficial dos melhores hits da carreira da banda; e com as possantes características apelativas que cada música tem individualmente e com as várias sonoridades do seu percurso sempre a aparecer alternadamente, essa descrição não parece estar muito longe da verdade. Tudo isto a juntar a um claro amadurecimento da banda – destaque-se a voz de Caleb, na qual ele já controla melhor a sua embriaguez, mantendo o seu toque singular e inconfundível – e sai daqui uma forte proposta da banda de Nashville, a selar bem a montanha-russa que se deu nos conturbados anos pós-Only by the Night. Mesmo que já se estivesse antes farto dos refrães fáceis de “Sex on Fire” e “Use Somebody”, tem que se reconhecer que a família Followill sempre soube o que andava a fazer.


sobre o autor

Christopher Monteiro

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