MENUMENU

Florence and the Machine

Ceremonials
2011 | Island Records | Pop

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Depois de ter causado uma óptima impressão com o seu álbum de estreia, Florence Welch volta com um novo registo. Ceremonials é o segundo disco de Florence and the Machine e basta olhar para o alinhamento para se poder ter uma ideia do que vamos ouvir. Mais uma vez é um álbum com bastantes músicas – quinze – que conta também com duas demos e três versões acústicas. Se algo se pode dizer sobre Florence, mesmo antes de ouvir o álbum, é que criatividade para novas músicas não lhe falta.

Ceremonials abre com Only if for a Night e é possível perceber que o género musical se conservou do primeiro para o segundo álbum. É de admirar a combinação e o tempo perfeito que o instrumental ocupa nesta música e também no resto do álbum. Seguem-se Shake it Out e What the Water Gave Me, músicas que já tinham sido reveladas antes do lançamento do álbum. Enquanto que, não deixando de ser uma boa música, Shake it Out desça um pouco em relação à primeira faixa, What the Water Gave Me compensa, sendo muito bem construída do início ao fim. A voz de Florence Welch, assim como o uso que ela lhe dá, é impressionante.

Never Let Me Go abranda um pouco o ritmo em relação às músicas anteriores, mas nem por isso perde muita qualidade. Já Breaking Down começa com uma mistura algo esquisita de sons, acabando por ser um pouco assim no geral – esquisita. Lover to Lover abraça um estilo mais pop que, ainda que esteja de algum modo mais presente neste álbum do que no anterior, só se faz notar mais em músicas como esta. Não é necessariamente mau, só foge um pouco ao normal da banda.

Segue-se No Light, No Light, que ainda que seja um pouco repetitiva em algumas fases, é uma música muito bem conseguida, que acaba por iniciar aquela que é a melhor fase de todo o álbum. O ponto mais alto acaba por ser com Seven Devils, Heartlines e Spectrum, três músicas realmente muito boas. A primeira apresenta uma sonoridade diferente do que tinha aparecido até aí, mas que resulta muito bem; Heartlines é uma música muito ao estilo do que havia no primeiro álbum, sendo impossível não dar destaque ao refrão altamente viciante; Spectrum acaba esta óptima fase com um ritmo contagiante e com mais uma boa demonstração do bom controlo da voz da parte de Florence Welch.

Enquanto que não se pode apontar nada de errado em All This and Heaven Too, a verdade é que acaba por passar um pouco ao lado, depois de uma boa sequência de músicas acima da média. Leave My Body volta a um ritmo mais lento, um pouco ao estilo de Never Let Me Go, mas menos interessante no geral e Remain Nameless também acaba por não fazer o suficiente para sobressair. Strangeness and Charm anima uma fase mais pobre do álbum, novamente com ritmos mais pop, sendo algo que nesta altura acaba por ser positivo. Pode soar algo repetitiva, mas é bom para nos lembrar que o ânimo de Florence não morreu a meio do álbum. Bedroom Hymns encerra a ‘primeira fase’ do álbum também de uma forma mais viva, mas sem fazer o suficiente para se poder dizer que termina em grande.

Acerca das demos e faixas acústicas vale a pena referir a demo da Landscape, uma música original que até poderia justificar fazer parte do ‘corpo principal’ do álbum e as versões acústicas de Heartlines e Shake it Out, sendo que a primeira soa extremamente bem e a segunda até acaba por parecer melhor que a original. Vale a pena ouvir estas faixas extra.

O segundo álbum de Florence and the Machine acaba por estar, talvez, um pouco abaixo do álbum de estreia, mas nem por isso deixa de estar bastante bom. Ceremonials não desilude, contando com músicas muito boas como What the Water Gave Me, Heartlines e Spectrum e nem faixas mais fracas como Leave My Body ou Remain Nameless fazem baixar muito a qualidade do álbum. Quem gostou de Lungs provavelmente não vai ficar desiludido; quem não gostou, devia dar uma oportunidade a este segundo, uma vez que acaba por mostrar também algumas sonoridades diferentes do habitual. Agora tudo o que se pode pedir é um concerto de Florence and the Machine em terras lusas brevemente.


sobre o autor

Sandro Cantante

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