MENUMENU

Dream Theater

Dream Theater
2011 | Roadrunner Records | Rock Progressivo

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A Dramatic Turn of Events é o décimo primeiro álbum de originais da banda de metal progressivo Dream Theater e é também o álbum que marca um ponto de viragem na história da banda. Antes da gravação do disco, Mike Portnoy, membro fundador da banda, despediu-se dos seus companheiros depois de algumas divergências, dando lugar mais tarde a Mike Mangini. Depois de uma pequena tour, onde foi possível perceber que os Dream Theater não perderam nenhuma da força ao vivo que tinham no tempo de Mike Portnoy, chega o momento de perceber se em termos criativos, depois de perderem aquele que podia ser considerado o líder da banda, continuam a conseguir bons resultados.

A primeira faixa do álbum, On the Backs of Angels, tinha já sido revelada através do YouTube no final de Junho, tendo também já sido tocada ao vivo em todos os concertos desta última tour. É uma música que parece querer conjugar velhos elementos dos últimos anos, com um início a recordar algumas músicas mais antigas (especialmente do Train of Thought e Octavarium), com outros novos elementos. Parece uma música ambiciosa e acaba por resultar, sendo impossível não destacar o pequeno solo antes dos refrões, que está mesmo muito bem conseguido.

Menos dentro do som habitual da banda parece estar Build Me Up, Break Me Down que, mesmo apostando em riffs mais pesados como a faixa anterior, tem demasiados elementos estranhos, como alguns efeitos na voz de James LaBrie e uma letra que se repete demasiadas vezes. Igualmente estranho é o solo de teclas, bateria e qualquer outra coisa que nos aparece em Lost Not Forgotten, claramente exagerado, depois de uma melodia muito agradável e umas guitarradas poderosas. Excepto isso, que podemos classificar como um pequeno percalço, o instrumental da música está muito bom. O refrão acaba por ser repetido demasiadas vezes, parecendo haver alguma falta de originalidade nesse aspecto. É algo atípico em Dream Theater, mostrando talvez onde Mike Portnoy faz mais falta na banda.

Segue-se This is the Life, aquela que é a primeira ‘balada’ do álbum. Ainda que a banda tenha algumas músicas calmas de qualidade, a esta parece faltar alguma coisa para se sobresair. Excepto dois solos satisfatórios, não há grande motivo de interesse na música, falta claramente algo. Mesmo com um minuto e meio inicial no mínimo esquisito, Bridges in the Sky acaba por ser uma das músicas mais pesadas e bem conseguidas do álbum. A aposta em riffs mais violentos resulta bem e apoia da melhor forma James LaBrie, também muito bem aqui. Igualmente boa está Outcry, onde um estilo mais agressivo contrasta bem com fases mais calmas da música. Impossível não destacar o solo, sendo talvez o que mais se destaque de todo o álbum, contendo segmentos geniais que mostram toda a qualidade de Jordan Rudess, John Petrucci e também do mais recente membro da banda, Mike Mangini.

Far From Heaven é a música mais curta do álbum e, também, a mais pobre. Mais uma ‘balada’ que não chega à sombra daquilo que a banda já fez no passado. Uma letra bonita e sentimental não faz uma música, é preciso mais. Segue-se Breaking All Illusions, que muda completamente de tom, iniciando com um riff que lembra Iron Maiden, banda com a qual os Dream Theater até estiveram em tour recentemente. É uma música bem ao estilo dos ‘antigos Dream Theater’, com algumas fases distintas, em que mais uma vez o destaque tem de ser dado ao óptimo solo, competindo com o de Outcry para melhor do álbum. Para terminar, Beneath the Surface, mais uma música calma. Entre as três neste álbum, é claramente a melhor. James LaBrie está muito melhor naquilo que lhe diz respeito e a guitarra sobressai mais, mas no geral, em termos de qualidade, não se aproxima das melhores do álbum.

A Dramatic Turn of Events é um álbum com altos e baixos. Começa bem e vai decrescendo de qualidade até This is the Life, volta a subir alto com Bridges in the Sky e Outcry para de seguida chegar ao ponto mais baixo com Far From Heaven. Breaking All Illusions sobe, para logo a seguir voltar a descer. Há músicas muito boas, mas no geral é um álbum mais fraco do que os anteriores. Mike Mangini está muito bem no que toca à execução, mas é claro que não tem o mesmo papel na criação de música que Mike Portnoy tinha. Isto é algo que se reflecte nas músicas, há um certa falta de criatividade e parece também haver uma vontade de seguir por um caminho ligeiramente diferente do anterior. Pode ser realmente o começo de uma nova era na banda, ou apenas um álbum que não correu tão bem como os anteriores, como, aliás, já aconteceu antes. É esperar para ver.


sobre o autor

Sandro Cantante

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