MENUMENU

Beirut

The Rip Tide
2011 | Pompeii Records | Indie

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No final da época estival, chegam-nos novidades do Novo México: Beirut acabam de lançar o terceiro álbum de originais, denominado The Rip Tide, e editado pela Pompeii Records, editora independente criada pelo vocalista, Zach Condon. Após dois álbuns e diversos EP’s inspirados pelos sons folk do leste europeu que tanto fascinaram Zach, a banda regressa às origens, compondo nove músicas sugerindo toques mariachi de Santa Fe, terra natal do vocalista e, à qual é dedicada a segunda faixa do álbum.

A ansiedade era muita, após dois álbuns bem aclamados pela crítica: com Gulag Orkestar em 2006, a banda norte-americana surpreendeu pela originalidade de associar o Indie Folk aos metais que a deslumbrou nos Balcãs. Mais tarde, em 2007, com The Flying Club Cup,  Beirut surpreendem de novo, homenageando a cultura francesa com a adição do acordeão à sua sonoridade muito à base do trompete e do ukelele, resultando em maravilhosos arranjos instrumentais. Todavia, já desde o EP March of the Zapotec/Holland em 2009 que pouco se ouvia falar de Beirut senão sobre aparições ao vivo – e tivemos o prazer de os receber no Super Bock Super Rock, num concerto bastante simpático e encantador.

Contudo, nada parece arrebatar os fãs neste terceiro disco que nos chegou em Agosto. Num tom como sempre intimista, Zach Condon versa melancolicamente o amor, a amizade e a solidão numa nostalgia crescente e ondulante, atingindo o seu auge na sexta faixa, música que intitula o álbum. Em Vagabond, regressa-se ao familiar tópico da viagem, num registo mais melancólico, transparecendo a possível intenção de atravessar o Atlântico e regressar ao Velho Continente.

Em suma, salvo em Santa Fe onde se arrisca – e bem – com o sintetizador, a banda aposta na simplicidade, no acordeão e no trompete, não nos trazendo nada de novo – é apenas um calmo e agradável regresso a casa, mas sem o brilho fascinante com que nos presentearam os anteriores álbuns. Em apenas meia hora, este disco não cativa como já nos habituara Condon. Sem desvalorizar excelentes músicas como Santa Fe, East Harlem ou Port of Call, o álbum perde um pouco o ritmo com Goshen ou Payne’s Bay. Todavia, é um bom álbum apesar da sua curta duração.

Deste modo, viajamos uma vez mais pelo mundo de Zach Condon, sem medo de não voltar para casa, pois ” the sound will bring me home again“, como se afirma em East Harlem. Pode não surpreender mas é, apesar de tudo, encantador.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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